Pular para o conteúdo principal

Possível corpo estranho em estômago de uma cadela





Apesar de comum em cães, corpos estranhos nem sempre são facilmente identificáveis. O histórico de ingestão de objetos e a idade do animal devem ser considerados todas as vezes em que o clínico levantar essa suspeita. Cães com mais de um ano e meio de idade, não costumam ingerir tudo o que vêem pela frente e a causa mais provável de processo obstrutivo é uma intussucepção, megacólon ou neoplasias abdominais. 

O material do corpo estranho muitas vezes dificulta sua visualização, pois nem sempre se tem algo evidentemente hiperecóico ou produtor de sombra acústica como é de se esperar. Nesse caso, minha maior suspeita foi de que se tratesse de algo de pano, como uma camiseta, um pano de chão, uma roupa íntima (...).  Observe que esse material anormal produz uma obstrução que deixa muito líquido anterior a ele, tem ecogenicidade difusa como a encontrada em parênquimas ou paredes organulares e deixa pouco gás em sua superfície mais abdominal (paciente em decúbito dorsal). 

Após a cirurgia de extração do corpo estranho, constatou-se que a paciente havia ingerido uma cueca. 

Comentários

  1. oi fernanda , achei muito boa sua leitura da obstrução , estou começando em diag por imagem , por isso olho sempre seu blog para tirar duvidas, paRABENS , se tiver mais material para eu olhar me fale , obrigado jose antonio - vet - caldas novas - goias

    ResponderExcluir
  2. que ótimo josé antônio! espero que eu possa sempre ajudar!
    abraços e boa sorte!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Alterações esplênicas em cães

As alterações esplênicas em cães normalmente são avaliadas de maneira subjetiva pelo ultrassonografista, já que existe uma variação de porte do paciente bastante grande. Ao contrário da esplenomegalia em felinos, que pode ser observada pelo aumento longitudinal do órgão, esta afecção em cães é comumente constatada pelo aumento transversal do mesmo.  Muitas são as causas da esplenomegalia, sendo importante destacar as hemoparasitoses, as parasitoses intestinais e epiteliais severas e as doenças endócrinas como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e diabetes mellitus.  Além do tamanho, o ultrassonografista deve estar atento à ecogenicidade esplênica, que de acordo com o macete "My Cat Loves Sunny Places" (M=medulla; C=cortex; L=liver - fígado; S=Spleen - baço; P=prostate) deve ser discretamente mais hiperecóica que o fígado e um pouco mais hiperecóica do que a camada cortical dos rins.  Outro aspecto importante é a ecotextura deste órgão, s...

Piometra de coto uterino - algumas apresentações

As imagens acima foram obtidas em exames ultrassonográficos diferentes de algumas pacientes da espécie canina; elas representam algumas formas de apresentação da afecção infecciosa de coto uterino. Note os tamanhos variados de coto, a quantidade e as ecogenicidade e ecotextura variadas.  Esse é um quadro mais comumente observado em paciente da espécie canina e normalmente os sinais aparecem poucos dias após a ovariosalpingohisterectomia (OSH). A explicação para esse acometimento para estar na frouxidão do miometro previamente dilatado pela gravidez, piometra ou cio, combinada ao excesso de tecido uterino deixado pelo cirurgião. A existência prévia de piometra não é um fator totalmente predisponente à formação de piometra de coto uterino, porém pode ser um agravante.

Fisiopatologia

Fisiopatologia, do grego  phýsis+o+gr páthos+gr lógos+ia, o estudo das funções fisiológicas durante a doença ou das modificações dessas funções que permite a instalação de uma doença física.  Durante a graduação ouvimos muitas vezes o jargão “a clínica é soberana!” Se a clínica é soberana - e é! - então a fisiologia é divina. Conhecendo os mecanismos que levam à doenca (ou à saúde) é mais fácil compreender a cadeia de acontecimentos que leva à alteração que estamos observando na imagem da ultrassonografia.  O organismo funciona como um grande quebra-cabeças. Completo forma uma imagem linda; danifique ou tire uma peça e tenha uma imagem alterada, torta, incompleta.  Por isso sempre avaliamos um paciente por inteiro. Primeiro o visual, a conversa com o tutor ou pai/mãe, a “conversa” com o paciente (levante a mão o veterinário ou a veterinária que troca infinitas ideias com seus bichinhos), a avaliação física e depois os exames.  É aí que tudo começa a se lig...