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De dentro para fora


De enxergar dentro dos corpos a enxergar entre os seres  

Uma evolução silenciosa na medicina veterinária


Em 2009, um ano após me graduar em Medicina Veterinária na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), criei este espaço com uma intenção muito clara: aprofundar a prática do ultrassom diagnóstico em animais.


Naquele momento, meu foco era a precisão. A técnica. A qualidade da imagem.  

Como enxergar melhor, para compreender melhor.


Durante anos, compartilhei o que estava aprendendo — como realizar exames mais apurados, como interpretar achados sutis, como refinar o olhar clínico.


E, de muitas formas, essa jornada cumpriu seu propósito.


Mas algo interessante acontece quando passamos tempo suficiente olhando para dentro…


Eventualmente, uma nova pergunta surge:  

E tudo aquilo que não pode ser captado por uma imagem?


Com o passar dos anos, minha experiência clínica — e a própria vida — começaram a expandir essa investigação.


Percebi que a saúde não está apenas nos órgãos, nos tecidos ou nos achados mensuráveis.  

Ela também está nas relações.

- Na relação entre humanos e seus animais  

- Entre os próprios animais  

- Entre humanos e outros humanos  

- E, talvez a mais importante de todas, na relação que cada um tem consigo mesmo  


Essas camadas influenciam o bem-estar de formas que nenhum transdutor é capaz de acessar completamente.


Por isso, este não é um afastamento da medicina veterinária.  

É uma expansão. Um aprofundamento advindo do convívio que tive com tantos seres de tantas espécies ao longo desses anos. Inclusive com a espécie humana. 


O ultrassom me ensinou a observar com atenção.  

Agora, estou aprendendo a observar além do visível.


Este espaço, que antes era dedicado exclusivamente à imagem, passa a se tornar um lugar para uma exploração mais ampla da saúde — uma que inclui, mas não se limita ao corpo físico.


Um espaço onde ciência e percepção podem coexistir.  

Onde o conhecimento clínico encontra a experiência vivida.  

Onde cuidar dos animais também nos convida a olhar para a forma como (nos) cuidamos, nos relacionamos e percebemos.


A quem esteve aqui desde o início — minha gratidão.  

E a quem chega agora — seja bem-vindo.


É o mesmo caminho.  

Apenas visto por uma lente mais ampla.


— Fernanda

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